quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Movimento, volver




A reabilitação das deficiências físicas começa a andar mais depressa. Surgem drogas que preservam nervos da medula espinhal ameaçados de morte depois de um acidente. O cérebro também surpreende, mostrando uma capacidade de recuperação maior do que se esperava. Sem contar a fisioterapia, que agora apresenta recursos de tecnologias avançadas.


Parece um daqueles filmes exagerados do cinema-catástrofe. Primeiro, acontecem enchentes, os vasos sangüíneos se rompem e o líquido que jorra causa uma pressão insuportável dentro das vértebras. Células nervosas são achatadas e o sufoco altera a transmissão de seus sinais elétricos. Os curto-circuitos são inevitáveis. Então, outras células se sacrificam na tentativa de resolver o problema de eletricidade, como quem desliga a força. Ao morrerem, essas suicidas liberam cálcio e a substância atrai moléculas nocivas, como as dos radicais livres, capazes de acabar com o que ainda funcionava bem. Nasce uma segunda onda de destruição. Mais células morrem, mais cálcio aparece, mais radicais livres cheios de más intenções.

A reação em cadeia parece não ter fim, mas tem. Chegam as células de defesa do sangue e limpam tudo na área. Tudo. A medula foi rompida. Fica um tremendo abismo entre o cérebro e os músculos que governam os movimentos. Infelizmente não é cinema. Esse é o drama de quase 3 milhões de brasileiros deficientes físicos. Existe ainda outro milhão de indivíduos no país que também perdeu parte dos movimentos do corpo, mas não por causa de danos na medula espinhal, o canal de comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. Neles, o próprio cérebro foi lesado, 72% dos casos em desastres de trânsito, segundo o Ministério da Saúde.

Agora, porém, a Medicina quer dar uma sequência otimista ao episódio trágico. No ano passado cientistas suecos conseguiram fazer ratos paralíticos voltar a caminhar.“É possível que alguns casos de paralisia tenham cura nos próximos dez anos”, arrisca-se a dizer, animado, o especialista americano Wise Young, professor da Universidade de Nova York, em entrevista à SUPER.

Basta salvar uma parte dos nervos


O cabo cheio de nervos que passa bem no meio da coluna vertebral não perdoa agressões. Quando se machuca em uma trombada de carro, ao levar um tiro ou por uma batida forte na cabeça — cuja massa cinzenta inchada pelo trauma acaba fazendo pressão excessiva sobre ele —, esse cabo costuma apresentar problemas sem volta. Até recentemente o estudo desses casos parecia imobilizado. Hoje o neurologista Wise Young comemora a constatação de que um indivíduo usa apenas de 8 a 10% dos nervos no centro de sua espinha para se movimentar. “Antes, a gente achava que era preciso recuperar completamente a medula para curar o doente”, explica o médico. “Como os nervos são estruturas caprichosas, que nem sempre reagem como se espera, a missão parecia quase impossível e os pesquisadores desanimavam.”

Verbas também nunca sobraram para a pesquisa das lesões de medula. “Nos Estados Unidos, ninguém investe na busca de soluções porque só ocorrem cerca de 11 000 novos casos por ano”, declara o ator americano Christopher Reeve, famoso pelo papel de Super-Homem no cinema, que há dois anos caiu do cavalo e quebrou o pescoço. Ele está numa cadeira de rodas tão cheia de dispositivos eletrônicos que vale 1 milhão de dólares. Mas deixa a imaginação voar como um super-herói e anuncia: “Queria ser um rato.” O roedor em questão é um sueco que voltou a andar. Foi o alvo de uma experiência revolucionária no respeitável Instituto Karolinska, em Estocolmo.


Computadores entram no tratamento


Ainda serão necessários de cinco a dez anos de pesquisas com animais até a técnica criada pelos suecos ser experimentada em seres humanos. Na prática, porém, já dá para os especialistas preverem dificuldades. Afinal, após um acidente de qualquer natureza, a medula nunca se parte direitinho como em um corte cirúrgico igual ao feito nos ratos. Ela acaba esgarçada como um trapo. Será complicado colar túneis nervosos em suas pontas e, mais difícil, fazer com que funcionem.

No entanto, existe esperança.


“Voltar a andar não é a única saída”, diz a médica Linamara Ba- ttistella, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ela dirige a Divisão de Reabilitação, área da Medicina que se desenvolveu na década de 50, especialmente na Áustria, país que tinha uma legião de mutilados e paralíticos devido aos estragos da guerra. “Às vezes, o indivíduo não caminha como antes, mas depois de tratado consegue trabalhar e ter um dia-a-dia normal.”

Nos últimos anos, a reabilitação mudou muito. “Antes, a gente sabia com a prática se um paciente havia melhorado”, diz a médica. “Mas agora podemos responder quanto realmente ele melhorou, com exames computadorizados que medem os desvios de postura, a força muscular e a velocidade dos reflexos.” Os computadores não entram em cena só na hora do diagnóstico. “Hoje é possível calcular a pressão que alguém faz sobre a cadeira de rodas quando está sentado e como apóia as costas e os braços”, diz ela. “Assim, a cadeira acaba sendo personalizada, planejada para fazer pequenas compensações nessas áreas de pressão, proporcionando maior conforto.”

O cérebro pode transferir certas tarefas


Há três meses, foi divulgada nos Estados Unidos uma cirurgia para implantar eletrodos nos nervos ligados ao diafragma, imobilizado depois de uma lesão na altura do pescoço. “Eles mandam impulsos elétricos contínuos para esse músculo abdominal, controlados por um dispositivo externo que cabe no bolso”, informa o neurocirurgião Jorge Roberto Pagura, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Os impulsos fazem o diafragma se movimentar, dispensando o ventilador, aparelho que força a entrada do ar nos pulmões.

Nos traumas cerebrais, contudo, o edema ou inchaço subseqüente continua sendo a luta dos médicos. “O cérebro fica numa caixa fechada, não tem para onde correr”, diz Pagura. “O aperto lá dentro mata seus neurônios. A função desempenhada por eles desaparece.” Exames como a ressonância magnética, que mostram o cérebro em ação, provam que muitas vezes, depois de um tratamento prolongado, ele transfere o trabalho que era realizado pela área destruída para outras regiões. O fenômeno é conhecido por plasticidade cerebral. “A maior parte do progresso de um paciente ocorre no primeiro ano depois do trauma”, conta Pagura. “No entanto, se ele continua melhorando, nem que seja 0,1% a cada seis meses, não existem limites. Em tese, ao menos em tese, esse indivíduo pode progredir sem parar no caminho da cura.”

Ser independente


A terapia ocupacional é uma peça-chave ao treinar movimentos como o de escovar os dentes ou criar dispositivos como talheres presos às mãos. “O paciente deve ser independente ”, diz a terapeuta Gracinda Tsukimoto, do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.

Força exata


Atletas contundidos e gente com lesões mais sérias têm apelado para o Cybex. A máquina avalia o trabalho dos músculos enquanto o paciente faz força. Se ele exagerar, porém, o equipamento automaticamente retira a carga, evitando novas lesões.

Fim da canseira


A análise das articulações de um indivíduo enquanto ele caminha é considerada uma avaliação fundamental. Seis câmeras de vídeo e dezesseis sensores registram o jeito como o corpo se desloca e enviam os dados para o computador. Antes o exame levava mais de 1 hora e o paciente repetia a trajetória várias vezes. “Cansado, mudava a sua postura natural”, explica a médica Linamara Battistella. Hoje 20 minutos e uma única caminhada de um lado a outro da sala de 8 metros no Hospital das Clínicas de São Paulo já são o suficiente, graças a um software lançado no final do ano passado. “Sem fadiga, os resultados são fiéis à realidade”, diz a médica.

Ajuda na telinha


Nos traumas cerebrais, pode-se perder os comandos da musculatura facial envolvida na fala. “A área lesada não tem cura”, diz a fonoaudióloga Lídia Balbachevsky Setti.
“O que podemos fazer é recrutar outros setores cerebrais, com exercícios específicos, treinando-os para a tarefa da região perdida.” Esse trabalho é lento. E as coisas se complicam quando o cérebro apagou os registros da linguagem. “Ele pode esquecer o significado das palavras”, exemplifica Lídia, que vê no computador um grande aliado. “Alguns softwares, extremamente lúdicos, servem de estímulo para as sessões de terapia”, diz ela, clicando a figura de uma maçã enquanto as letras m-a-ç-ã aparecem na tela.

Ação involuntária


Na fisioterapia, uma das novidades são equipamentos que transmitem impulsos elétricos imitando as mensagens nervosas. “Assim, as regiões paralisadas se mexem, exercitando-se”, diz Denise Ayres, fisioterapeuta do HC de São Paulo.

Ginástica passiva


Máquinas fazem movimentos, como os da bicicleta, para manter os músculos em forma, evitando problemas de circulação. Os especialistas concordam: músculos bem condicionados evitam novas seqüelas e ainda ajudam na recuperação do movimento.

Figuras públicas em reabilitação


Veja alguns exemplos de gente que recuperou funções.

Treinado para tocar
Ele mal segura um copo e não dá um aperto de mão direita. Ela ficou paralisada há dois anos, quando o pianista brasileiro João Carlos Martins sofreu um derrame. No entanto, em maio do ano passado, ele foi ovacionado de pé no famoso Carnegie Hall, em Nova York. Martins, que mora na Flórida, se entregou ao biofeedback, técnica de reabilitação desenvolvida pela equipe do neurologista Bernard Brucker, na Universidade de Miami. O músico ficou horas a fio brigando contra uma máquina, de olho na tela que comparava o movimento que tinha feito e o que deveria fazer. Segundo Brucker, seu método é eficiente para recuperar movimentos específicos. “A gente consegue o máximo justamente porque insiste em treinar um único tipo de tarefa”, diz ele. Nunca, porém, sua equipe tinha preparado alguém para realizar movimentos tão finos como dedilhar um piano.

Duras penas
O ator Flávio Silvino, promissor galã de telenovelas, não quebrou um osso nem ficou arranhado quando bateu seu carro em novembro de 1993. Mas sofreu um traumatismo craniano. Sua massa cinzenta inchou e algumas de suas áreas ficaram sem receber sangue adequadamente. Resultado: foram 123 dias em estado de coma. Quando recuperou a consciência, mal balbuciava palavras. Até hoje enfrenta sessões de terapias combinadas para recuperar a linguagem, agora equivalente à de um adolescente.

Cobaia humana
O ator americano Christopher Reeve tem aproveitado o seu prestígio para ser voluntário de uma série de terapias em fase experimental. Há oito meses, ele usou a droga 4-AP para acelerar a transmissão dos impulsos nas células nervosas que restaram intactas. No entanto, meia hora depois, teve de ser socorrido por causa de uma forte reação alérgica. Agora, está testando uma nova bicicleta ergométrica em que são ligados nada menos do que quinze eletrodos em cada uma de suas pernas. Eles passam impulsos elétricos para quase toda a musculatura da região. Assim, Reeve consegue pedalar quase tão depressa quanto nos tempos em que fazia 3 horas de ginástica por dia para manter seu físico de herói de cinema.

A saída do cérebro
Quando o locutor esportivo Osmar Santos sofreu um acidente de carro, em dezembro de 1994, perdeu 5% da massa cerebral, justamente na região que processa a linguagem. “Ele poderia não estar falando uma palavra sequer”, diz seu irmão Odiney Santos. “Mas o Osmar tem uma força de vontade descomunal, que o leva a passar em média 6 horas por dia em diversas terapias.” Osmar Santos não voltará jamais a narrar jogos de futebol, dura realidade. Mas os médicos têm realmente esperança de que volte a conversar, porque o fato de conseguir recuperar um vocabulário limitado indica que seu sistema nervoso está convocando novas áreas cerebrais para substituir a região perdida no acidente.

Fonte: SuperInteressante (Março/1997)


Sabemos que pelo tempo decorrido da matéria que é de 1997, a medicina deve ter evoluído bastante, pois o que dizer da recuperação do cantor Herbert Viana ???, mas sabemos também que muito precisa ser investido para que a recuperação desse tipo de lesão seja muito melhor. 
E a matéria também é superinteressante mesmo para que nós leigos possamos entender nosso corpo humano!





terça-feira, 13 de setembro de 2011

Guia de Postura


A Associção Brasileira de Reabilitação da Coluna em parceira com o ITC Vertebral lançou uma cartilha sobre as posturas corretas para nossa Coluna Vertebral.

Parabenizamos aqui o Fisioterapeuta Helder Montenegro que a elaborou, ficou muito boa e ajuda muito tanto a nós com problemas na coluna, mas também como prevenção.

Aqui o link da cartilha: Guia de Postura - Dr. Coluna

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tipos de cirurgia da coluna


Sabemos que qualquer tipo de cirurgia apresenta riscos, como sangramentos ou infecção, mas a cirurgia na coluna vertebral apresenta outros riscos maiores como a lesão de estruturas nervosas, como a medula espinhal.

Hoje em dia existem vários tipos de cirurgia para vários tipos de problemas apresentados na coluna, indo desde os tratamentos sem cortes e sem hospitalização, até as cirurgias maiores, com fixação da coluna e colocação de implantes metálicos (artrodeses) , como no vídeo acima – igual à minha cirurgia.

Mais modernas ainda são as cirurgias que mantém o movimento normal da coluna, e as microcirurgias para hérnia-de-disco onde é feita uma pequena incisão e usa-se imagens de vídeo ou endoscópios para retirada da hérnia.

E então em quais situações são indicadas as cirurgias na coluna vertebral?
Quando um nervo está seriamente comprimido, irradiando a dor para os membros superiores ou inferiores, causando dormência, formigamento, e até mesmo perda de controle intestinal ou da bexiga.

Sempre é indicada a cirurgia após todos os outros procedimentos não-cirúrgicos terem falhado e terem sido feitos todos os exames com o diagnóstico preciso da causa das dores.

Os tipos de doença da coluna que podem levar às condições acima podem ser:
- hérnia de disco
- degeneração do disco
- estenose espinhal (estreitamento)
- fraturas
- infecções ou tumores
- deformidade da coluna vertebral
- artrose


SEMPRE a conversa com vários cirurgiões é muito importe, pois os tratamentos conservadores devem vir em primeiro lugar, depois os procedimentos cirúrgicos menos invasivos e, só então uma grande cirurgia.

Fontes: http://www.stlbackpain.com/surgical-options
         http://www.northshore.org/neurological-institute/specialties/back-pain-and-spine-surgery/


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