segunda-feira, 22 de março de 2010

A Rotina Diária

E como fica a rotina diária de quem já está com o problema crônico?
Acredito que pra nós mulheres seja um pouco mais difícil, pois temos mais preocupação com as coisas da "casa".
O que tenho certeza é que tanto pra homens quanto pra nós mulheres: TUDO MUDA RADICALMENTE. Temos que reaprender tudo, sermos criativos pra continuar a viver com as dores diárias e todas as limitações.


  • Em primeiríssimo lugar afeta a vida profissional, esta nunca mais será a mesma, os sonhos de carreira, sucesso e progresso vão por água abaixo, infelizmente os mesmos meios/empresas em que tanto nos empenhamos e que a ela dedicamos anos a fio, agora nos viram as costas, pois não somos mais "produtivos" como antes, somos robôs e não seres humanos ???
  • A nossa vida acadêmica também fica bem difícil, eu mesma estava cursando o 3º ano da faculdade de História e gostando muito, mas com as dores fortes antes da cirurgia foi impossível aguentar ficar sentada em sala de aula, e depois da cirurgia, sem os mesmos movimentos do pescoço, pra ler e escrever ficou muito difícil... mais um sonho indo embora.
  • E a família? bem aí depende da compreensão dela... precisamos de apoio no mínimo para entender nossas limitações. Uma coisa que nunca esqueço é que um neurologista me falou: toma cuidado com a família, pois ela tende a pensar que você está eternamente de "férias" e em vez de apoio pode te empurrar tarefas!
  • E a vida social? esta quase vai por água abaixo, temos que ser fortes, e ainda bem que sou bem positiva. Pra não acabar com a temível depressão e tudo piorar ainda mais (tarefa dificílima com dores 24 horas por dia), tem que acordar todo dia com esperança de sempre melhorar e viver cada dia.
  • Em casa, realmente pra mulher é complicado, como cuidar dos filhos, da casa, do marido, se agora quem precisa de cuidados somos nós? Dos filhos e marido, além da compreensão eles terão que ajudar muito e dividir as tarefas, e com a casa se adequar ao novo ritmo.
  • Financeiramente, "adequar" é crítico, pois as rendas diminuem drasticamente e as despesas aumentam também na mesma proporção.

Enfim administrar o tempo é nossa tarefa diária, pois a nova rotina, não é mais casa, trabalho, escola, família, e sim: exercícios, médicos, clínicas, exames, fisioterapias, inss, repouso, medicação ... é tudo muuuuito diferente.

2 comentários:

  1. Oi Mara, queria compartilhar com vc minha experiência profissional. Até o ano de 2005 com esforço desumano, pois os meios de transportes faz um mal terrivel para nossas dores, consegui trabalhar fora, felizmente tive a oportunidade de trabalhar em casa em virtude de um alagamento no escritorio em que trabalhava, e até hoje continuo trabalhando em casa, dói um pouco eu paro levanto, se estiver muito forte deito um pouco, enfim tento fazer meu proprio horario segundo minhas dores. Minha formação é contábil e trabalho por tarefa, tipo , ganho tanto pra fazer a contabilidade de determinada empresa, tenho acesso remoto no escritorio e até hoje tem me dado ocupação e uma ajuda financeira.

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  2. Olá Júlio,
    Pois é, a nossa vida profissional é um capitulo à parte, ainda não postei nada do meu caso ainda, mas em breve farei isso.
    E o pior de tudo, junto com as dores são as humilhações, e parece que a gente está doente porque quer... imagina se eu iria querer, faltando menos de 2 anos pra me aposentar por tempo de contribuição e estou aqui em auxilio-doença, sem contar tempo de contribuição, e com as perdas financeiras irreparáveis.
    Eu como falei estou recebendo auxilio-doença, e o resto fica por conta do trabalho do Luciano mesmo, e eu como dona de casa, pois não estou podendo pagar ajudante, faço como você aí no seu trabalho, faço um pouco o que ainda consigo, deito outro pouco e assim vamos indo, e junto muuuito remédio pra aguentar as dores.

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